O Senhor é a minha rocha

Quando somos novos convertidos, entendemos bem porque algumas coisas acontecem conosco, e como aquilo é de suma importância para o nosso crescimento como pessoas para glorificar a Cristo. Dentro disso, gostaria de trazer mais um texto sobre o meu testemunho de conversão e ressaltar como o período em que não estava com Cristo me fez refletir muito no único que de fato pode me sustentar, Deus.

Gostaria de começar por dois textos que me fizeram compreender muito bem o que quero exemplificar.

O primeiro está em Mateus 7:24-27:

“Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.

Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha.

Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia.

Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda.”

De fato, sendo um estudante de engenharia civil, é fácil compreender que o melhor solo a se fazer uma fundação é aquele rochoso: qualquer construção feita nesse solo fica firme, forte e aguenta todo tipo de intempérie. Porém, como avaliar isso na nossa vida cotidiana? Como entender isso dentro do que fazemos?

Bem… Sempre queremos começar pelo lado correto, mas aqui o ponto crucial está no lado errado. Antes de me converter de fato a Cristo, já havia ouvido falar sobre Deus. Como meus pais são católicos não praticantes, sabia da existência de um Deus mas não o conhecia direito. Sempre acreditei na existência de um criador, mas isso não significa muito… Paulo, antes de ir a Damasco, também conhecia um Deus, mas tudo o que Paulo fazia ia contra Cristo. Digamos que eu também estava nesse estágio: achava que conhecia a Deus, mas era um herege de carteirinha.

Mas como isso se aplica à situação das casas e suas fundações?

Vamos ler mais um texto da Bíblia para exemplificar melhor. Em Mateus 16:13-18, Jesus diz o seguinte:

“E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?
E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.
Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?
E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.
Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

Novamente, Cristo retoma a ideia de fundamento na Rocha, mas aqui Ele é bem claro sobre o que é a Rocha.
[…]Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo[…],[…]e sobre esta pedra edificarei a minha igreja[…]

A melhor fundação que podemos ter em nossas vidas é Cristo! Posso dizer isso sem pestanejar, exatamente pela questão que estava falando anteriormente. Antes da minha conversão, sabia quem era Deus, ou imaginava saber, mas nunca o tinha conhecido de fato. Irmãos, quando não conhecemos a Deus, fazemos as nossas casas em fundações de areias. Você pode se perguntar: Como assim?

Você deposita suas esperanças em amigos, deposita sua confiança em irmãos, deposita seu amor em pessoas… Não estou falando que isso seja ruim mas, quando você não conhece a Deus, o seu fundamento mais forte são as pessoas. Porém, as pessoas falham; todas elas, sem exceção. Todos nós somos pecadores, maus, arrogantes dentro do nosso próprio ego. C.S Lewis resumiu bem isso quando escreveu em seu livro Cristianismo puro e simples:

“Mas nunca, nunca deposite toda a sua fé num ser humano, mesmo que seja a melhor e a mais sábia pessoa do mundo. Existe uma porção de coisas interessantes que você pode fazer com areia; mas não vá construir uma casa sobre ela.”

Por muito tempo não conhecia direito a Cristo e isso me fez depositar as coisas que mais acreditava em pessoas, amizades, paixões; e, quando qualquer um desses não correspondia de alguma forma, ou causava uma decepção, tornava toda a questão aterradora.

Mesmo assim, nada disso foi capaz de mudar o que eu acreditava, até o momento em que depositei muita esperança em pessoas, confiança em pessoas, amor em pessoas, e me desviei por completo de Deus. Dessa vez, quando a decepção veio de fato tirou todo o meu chão (“Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda”): fiz meus fundamentos em pessoas e não em Deus; e por isso a queda foi grande. Não faça sua casa sobre a areia; faça sobre a Rocha.

De tudo, porém, o pior não foi isso… A decepção que tive foi tamanha, o sentimento destruído, os pensamentos afetados foram tão aterradores que de fato comecei a contestar minhas próprias crenças. Confesso que por um momento contestei a própria existência de Deus! De tudo que me causou calafrios, isso foi o que mais mexeu com a minha alma: de fato, não fazia ideia de quem era Deus, mas ter por um momento no coração a falta dEle é aterrorizante. Já disse em um outro texto que eu estava no fundo do poço,e  isso ocorreu exatamente porque eu não conseguia mais ter perspectiva sem um criador. Para onde eu iria? Estava sozinho? Isolado? Cai na mais profunda questão existencial: se Deus não existe, qual o sentido disso tudo? Por que ser bom ou mal? Tanta angústia só me levou para um poço cada vez mais escuro, cada vez mais fundo: encontrava o desespero, medo, raiva, tristeza… cada vez pior… De fato, não consigo entender a perspectiva de alguém que não crê em Deus pois, para mim, um momento de contestação sobre a sua existência dEle trouxe um sentimento que quase me tirou a vida.

É interessante com Deus faz as coisas: nós não entendemos naquele momento, mas tudo faz sentido depois. Lembra-se de Paulo? Perseguidor, herege, matador, se converteu enquanto ia pra Damasco. Eu me converti indo pra faculdade: Deus colocou no meu caminho alguém que em poucas palavras me permitiu ficar curioso o suficiente para começar a ler a Bíblia. Agradeço a Deus por isso. Às vezes, somos muito ansiosos com as coisas, mas Deus sabe o que faz e usa pessoas especiais para isso.

Amigo, é incontestável: se você ler a Bíblia e não se converter, leia de novo pois você leu errado! Eu encontrei naquelas palavras a carta de um Pai amoroso para um filho que estava perdido;

“porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado.”
Lucas 15:32b

Às vezes, me perguntam qual meu livro predileto, e geralmente respondo qualquer outro além da Bíblia porque pra mim ela é mais que um livro: é uma conversa direta entre mim que sou tão pequeno e Deus que é tão grande; é onde aprendo ser alguém melhor, onde entendo como resolver as minhas angústias, onde entendo o que ocorre com a minha vida e como tudo é da vontade de Deus. Eu encontro na Bíblia a única verdade que pode me libertar, e isso não se encontra em livros. Somente em Cristo podemos encontrar a liberdade, a vida. Se você deseja conhecer melhor ao seu Salvador, procure na carta que Ele escreveu pra você: a Bíblia.

José foi vendido pelo irmãos, foi escravo, mas no fim virou soberano sobre todo Egito, abaixo apenas do Faraó, salvando sua descendência. Deus agiu, e tudo que José passou moldou o seu caráter e a sua confiança em Deus, e o fez perdoar seus irmãos.

Moisés era pastor de ovelhas, fugiu, tirou o povo da escravidão, abriu os mares. Sabemos, porém, que não foi ele; foi Deus, pois Moisés era fraco. Deus é poderoso e fez, de um homem, um libertador.

Davi derrotou o gigante; Daniel sobreviveu aos leões; Jonas sobreviveu ao peixe; os sacerdotes, à fornalha. Deus permite que algumas coisas ocorram conosco para que nosso caráter seja formado, para que tenhamos fé nele e façamos o que é da sua vontade. Recebi vida através de Cristo quando morreu naquela Cruz, e ressuscitou, mas meu caráter foi moldado pelo que aconteceu comigo.

Quando pediu para Abraão sacrificar o seu filho, Deus já sabia qual seria o resultado, mas Abraão não. A decisão de Abraão mostra onde ele construiu a sua casa: na única Rocha que poderia lhe dar uma descendência como o número de estrelas do céu.

Não sou a melhor pessoa do mundo, como diria um amigo meu: “sou o pior dos pecadores” (1 Timóteo 1:15), sou falho, mal. No entanto, agora sei onde buscar ajuda: corro desesperado para seus braços e confesso tudo aquilo que me aflige, procuro na sua carta amorosa as suas palavras, fecho os olhos e escuto a sua voz. Não estou livre das aflições, e isto não significa que não fique angustiado, muito menos que não sinta medos. Sou pecador, sou humano, tudo isso ainda ocorre comigo, mas agora… agora tenho paz, tranquilidade; agora conheço a verdade, confio naquele que me fortalece, sei quem de fato é Deus, quem me salvou, quem está comigo sempre, quem cuida de mim, e posso confiar de olhos fechados. Eu tenho paz porque agora sei em quem me apoio, porque agora sou como um homem prudente…

“…que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na Rocha”

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